Paróquia Santa Luzia

Paróquia Santa Luzia
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26 de nov de 2012

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova.

Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e consegui, porque tu me fizeste meu auxílio (cf. Sl 29, 11). Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da alma, acima de minha mente, vi a luz imutável. Não era como a luz terrena e evidente para todo ser humano. Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito, muito mais brilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas. Não era assim, mas outra coisa, inteiramente diferente de tudo isto. Também não estava acima de minha mente como óleo sobre a água nem como o céu sobre a terra, mais alta, porque ela me fez, e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz.

 
Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era. E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda a força. E eu tremia de amor e de horror. Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança, como que ouvindo tua voz lá do alto: "Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim".

E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2, 5), que é Deus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9, 5). Ele me chamava e dizia: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6). E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à minha carne, pois o Verbo se fez carne (Jo 1, 14), para dar à nossa infância o leite de tua sabedoria, pela qual tudo criaste.
 
Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estava dentro e eu fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo. (Lib. 7, 10.18; 10, 27: CSEL 33, 157-163.255) (Sec v)

Um comentário:

  1. Lindo texto, e verdadeira reflexão, afinal quantos de nós, já buscamos JESUS fora, quando ele sempre esteve dentro! Não perto, mas dentro! Amamos tarde! Mas enfim... O AMAMOS, que DEUS nos dê a graça de sermos firmes e corajosos, para corresponder esse AMOR PRIMEIRO!* QUE TENHAMOS SEMPRE SEDE E FORME DESTE CRISTO QUE ÉS ÚNICO, VERDADE E VIDA!*
    A paz padre Elenivaldo! DEUS O ABENÇOE SEMPRE. Saudades.

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