LIVRAI-NOS DA CEGUEIRA ESPIRITUAL
“CONCENTREMOS O ESPÍRITO PARA ORAR”
Da Carta a Proba, de Santo
Agostinho, bispo. (Séc.V)
Em horas determinadas
concentremos o espírito para orar
Desejemos sempre a vida feliz que vem do Senhor Deus e assim
oraremos sempre. Todavia por causa de cuidados e interesses outros, que de
certo modo arrefecem o desejo, concentramos em horas determinadas o espírito
para orar. As palavras da oração nos ajudam a manter a atenção naquilo que
desejamos, para não acontecer que, tendo começado a arrefecer, não se esfrie
completamente e se extinga de todo, se não for reacendido com mais frequência.
Por isso as palavras do Apóstolo: Sejam vossos pedidos conhecidos
junto de Deus (Fl 4,6) não devem ser entendidas no sentido de que Deus os
conheça, ele que na realidade já os conhece antes de existirem, mas em nosso
favor sejam conhecidos junto de Deus por sua tolerância, não junto dos homens
por sua jactância.
Sendo assim, se se tem o tempo de orar longamente, sem que sejam
prejudicadas as outras ações boas e necessárias, isto não é mau nem inútil,
embora, como disse, também nelas sempre se deva orar pelo desejo. Também orar
por muito tempo não é o mesmo que orar com muitas palavras, como pensam alguns.
Uma coisa é a palavra em excesso, outra a constância do afeto. Pois do próprio
Senhor se escreveu que passava noites em oração e que orava demoradamente; e
nisto, o que fazia a não ser dar-nos o exemplo, ele que no tempo é o
intercessor oportuno e, com o Pai, aquele que eternamente nos atende.
Conta-se que os monges no Egito fazem frequentes orações, mas
brevíssimas, à maneira de tiros súbitos, para que a intenção, aplicada com toda
a vigilância e tão necessária ao orante, não venha a dissipar-se e afrouxar
pela excessiva demora. Ensinam ao mesmo tempo com clareza que, se a atenção não
consegue permanecer desperta, não deve ser enfraquecida, e se permanecer
desperta, não deve ser logo cortada.
Não haja, pois, na oração muitas palavras, mas não falte muita
súplica, se a intenção continuar ardente. Porque falar demais ao orar é tratar
de coisa necessária com palavras supérfluas. Porém rogar muito é, com frequente
e piedoso clamor do coração, bater à porta daquele a quem imploramos. Nesta
questão, trata-se mais de gemidos do que de palavras, mais de chorar do que de
falar. Porque ele põe nossas lágrimas diante de si (Sl 55,9),e nosso gemido não
passa despercebido (cf. Sl 37,9 Vulg.) àquele que tudo criou pela Palavra e não
precisa das palavras humanas.
Oração Final a Santa Luzia: Dirigente: Rogai por nós, Santa Luzia.// Todos:
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.
Dirigente: Oremos – Ó Deus que vos dignastes iluminar vossa Virgem
Santa Luzia com o clarão da fé e com a coroa do martírio, concedei-nos que por
sua intercessão, sejamos livres de qualquer cegueira da mente e do corpo e
mereçamos elevar mais facilmente o olhar para as coisas celestes. Por Cristo
Nosso Senhor. Amém.

Nenhum comentário:
Postar um comentário