Paróquia Santa Luzia

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29 de ago de 2014

Quando o "morrer" é uma questão de coerência

A Ordem Hospitaleira de São João de Deus perdeu três irmãos, uma irmã e seis leigos, comprometidos com sua missão até o fim

Roma,  (Zenit.orgSergio Mora 


A Ordem Hospitaleira de São João de Deus perdeu em agosto uma comunidade inteira na Libéria. Os religiosos atendiam doentes de ebola no hospital São José, na capital do país, Monróvia.

No dia 2 de agosto, morreu o irmão Patrick Nshamdze, de 52 anos, diretor gerente do hospital. Em 9 de agosto, a irmã Chantal Pascaline, de 47 anos, religiosa de Maria Imaculada. Em 11 de agosto, o irmão George Cambey, de 47 anos, diretor da enfermaria. Também no dia 11, o sacerdote espanhol Miguel Pajares, de 75 anos, foi levado à Espanha e morreu em Madri após o insucesso do tratamento com o soro experimental Zmapp. Morreram ainda seis leigos comprometidos: médico, enfermeiras e paramédicos.
Em total, dez pessoas deram testemunho de fé e de amor com a própria vida dedicada aos enfermos até a morte no hospital São José, que é mantido pela ordem na capital da Libéria.
O resto do pessoal do hospital teve que interromper as atividades porque não havia mais material de saúde. O hospital, que tem 155 leitos, “está fechado por falta de tudo. Os mortos eram amontoados na porta do hospital e os religiosos tinham que separá-los, sem máscaras, sem luvas. Foi um contágio feroz”, contou por telefone a ZENIT um dos religiosos da ordem, que é leitor assíduo da nossa agência.
Uma boa notícia, no entanto, é que, nesta segunda-feira, 25, receberam alta duas outras religiosas da Comunidade das Missionárias de Maria Imaculada: as irmãs Elena e Paciencia, diagnosticadas com ebola e internadas em outro hospital da capital da Libéria. Elas irão agora para o convento situado ao lado do hospital.
ZENIT foi informada ainda de que, nesta mesma segunda-feira, partiram para a Libéria, via Marrocos, os religiosos espanhóis Justino Izquierdo e Maxi Méndez, além de uma religiosa Missionária de Maria Imaculada e um técnico leigo, levando 20 mil quilos de medicamentos doados pela Espanha. Outros voluntários se unirão a eles nos próximos dias. “A escassez de tudo é imensa e toda ajuda é necessária”, enfatiza o religioso que conversou conosco.
Quando a equipe chegar a Monróvia, voltará a desinfetar o hospital para poder reabri-lo. "O superior provincial da África, irmão Bartolomeu, queria enviar algum irmão africano à Libéria, mas as autoridades locais não permitiram. Por isso é que vem essa nova equipe encabeçada por espanhóis", explicou o religioso.
O hospital em Monróvia tinha permanecido sempre disponível à população local, inclusive durante a guerra, quando os outros hospitais fecharam as portas. Desta vez, o hospital São José ficou aberto até o extremo de uma comunidade inteira da Ordem dos Irmãos Hospitaleiros de São João de Deus ser dizimada. 

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